REPENSANDO O
EFEITO DO VOTO NULO
O descontentamento com a política
é muito grande entre a população brasileira. Os escândalos envolvendo
parlamentares, a “organização criminosa” que foi criada dentro do governo para
desviar dinheiro, a impunidade, a cultura de que os parlamentares não estão nem
aí para o povo e que só pensam no próprio bolso, levam as pessoas a pensarem
que não vale a pena votar, pois, “ninguém vai resolver nada” ou “vai ficar tudo
igual”. Pois bem, essa cultura precisa mudar.
Genericamente falando, quando alguém quer uma mudança em alguém ou em algo,
a mudança precisa partir da própria pessoa. Pensando assim, nós brasileiros precisamos mudar a forma de
ver a política.
Da mesma forma que viver, criar
filhos, ter uma profissão e conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho
é difícil, requer muito estudo e
esforço, votar, apontar um candidato para ocupar um cargo eletivo, também
requer estudo e dedicação e muita reflexão.
Votar em branco ou anular o voto
é como ter um filho e deixar que outras pessoas cuidem dele, fugindo da responsabilidade.
Escolher um candidato não é
tarefa fácil e não adianta ir pela cabeça dos outros. É preciso que cada pessoa
faça sua tarefa de casa. Estude, pesquise, analise. Hoje, existem mecanismos e plataformas que nos
permitem buscar informações sobre os
partidos, sobre a própria pessoa que está tentando o pleito.
Nos movimentos de junho de 2013,
vários grupos defenderam a opção de
anular o voto.
É lógico que se houver um grande
número de votos nulos será um recado aos políticos. No entanto, o efeito pode
vir contra a população.
A urna eletrônica tem uma tecla
para voto em branco e o cidadão pode anular o voto digitando um número qualquer
que não leve a nenhum candidato, porém com o voto branco ou nulo quem se
beneficia são os candidatos que estão à frente nas preferências do eleitor e
próximos de vencer no primeiro turno. É preciso levar em conta que nem sempre
quem está na frente nas pesquisas de intenção de voto, são os melhores. Não
podemos esquecer que ainda existem as doações de campanha. O partido do governo
já recebeu apenas de empresas mais de R$ 120 milhões. Quem tem mais dinheiro e
mais tempo na mídia, acaba ficando na frente. Muitos vieses precisam ser
analisados.
A conta é assim: considere um
eleitorado de 100 milhões. Ganha a Presidência quem tiver, pelo menos, 50
milhões mais um dos votos. Só que, se 20 milhões forem brancos ou nulos, a soma
dos votos válidos cai para 80 milhões -
e vencerá no primeiro turno o político que receber, pelo menos, 40
milhões mais um dos votos.
Ou seja, quando mais votos nulos,
menos apoios são necessários para alguém vencer no primeiro turno.
Pense bem, anulando o voto você
pode de maneira advertida, sem querer, eleger um político contra o qual talvez desejasse
protestar.
É responsabilidade de cada cidadão
brasileiro buscar as informações necessárias e saber que corrupção não é apenas
atitude de parlamentar. Precisamos combater a corrupção nos pequenos atos,no
dia a dia, somente assim o Brasil chegará a ser uma nação justa.

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