quarta-feira, 17 de setembro de 2014




REPENSANDO O EFEITO DO VOTO NULO

O descontentamento com a política é muito grande entre a população brasileira. Os escândalos envolvendo parlamentares, a “organização criminosa” que foi criada dentro do governo para desviar dinheiro, a impunidade, a cultura de que os parlamentares não estão nem aí para o povo e que só pensam no próprio bolso, levam as pessoas a pensarem que não vale a pena votar, pois, “ninguém vai resolver nada” ou “vai ficar tudo igual”. Pois bem, essa cultura precisa mudar.  Genericamente falando, quando alguém quer uma mudança em alguém ou em algo, a mudança precisa partir da própria pessoa. Pensando assim,  nós brasileiros precisamos mudar a forma de ver a política.

Da mesma forma que viver, criar filhos, ter uma profissão e conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho é difícil,  requer muito estudo e esforço, votar, apontar um candidato para ocupar um cargo eletivo, também requer estudo e dedicação e muita reflexão.

Votar em branco ou anular o voto é como ter um filho e deixar que outras pessoas  cuidem dele, fugindo da responsabilidade.  

Escolher um candidato não é tarefa fácil e não adianta ir pela cabeça dos outros. É preciso que cada pessoa faça sua tarefa de casa. Estude, pesquise, analise. Hoje,  existem mecanismos e plataformas que nos permitem  buscar informações sobre os partidos, sobre a própria pessoa que está tentando o pleito.

Nos movimentos de junho de 2013, vários grupos defenderam  a opção de anular o voto.

É lógico que se houver um grande número de votos nulos será um recado aos políticos. No entanto, o efeito pode vir contra a população.

A urna eletrônica tem uma tecla para voto em branco e o cidadão pode anular o voto digitando um número qualquer que não leve a nenhum candidato, porém com o voto branco ou nulo quem se beneficia são os candidatos que estão à frente nas preferências do eleitor e próximos de vencer no primeiro turno. É preciso levar em conta que nem sempre quem está na frente nas pesquisas de intenção de voto, são os melhores. Não podemos esquecer que ainda existem as doações de campanha. O partido do governo já recebeu apenas de empresas mais de R$ 120 milhões. Quem tem mais dinheiro e mais tempo na mídia, acaba ficando na frente. Muitos vieses precisam ser analisados.

A conta é assim: considere um eleitorado de 100 milhões. Ganha a Presidência quem tiver, pelo menos, 50 milhões mais um dos votos. Só que, se 20 milhões forem brancos ou nulos, a soma dos votos válidos cai para 80 milhões -  e vencerá no primeiro turno o político que receber, pelo menos, 40 milhões mais um dos votos.

Ou seja, quando mais votos nulos, menos apoios são necessários para alguém vencer no primeiro turno.

Pense bem, anulando o voto você pode de maneira advertida, sem querer, eleger um  político contra o qual talvez desejasse protestar.

É responsabilidade de cada cidadão brasileiro buscar as informações necessárias e saber que corrupção não é apenas atitude de parlamentar. Precisamos combater a corrupção nos pequenos atos,no dia a dia,  somente assim  o Brasil chegará a ser uma nação justa.

TEXTO: Gisela Campos